
Os processos de globalização e a intensificação dos mercados transnacionais da economia e da cultura tem gerado sérios problemas sociais como o desemprego, a exclusão social, a intensificação de racismos e xenofobias e, sobretudo, reforçado a desigualdade entre economias centrais e periféricas.
Por outro lado, esse mesmo contexto sombrio vem provocando respostas contra hegemônicas bastante originais e cuja eficácia potencial não pode ser desprezada. Para focar apenas a área da cultura, objeto central do seminário, podemos identificar a multiplicação de organizações transnacionais de resistência, redes de solidariedade, fóruns mundiais, fluxos de articulação de direitos humanos, de “minorias”, lutas transnacionais pela proteção de recursos naturais, culturais , lingüísticos, da biodiversidade, em sua maior parte benificiários diretos das interações transnacionais permitidas pelas inovações técnicas de informação, criação e comunicação.
Assim como a criação e comunicação se tornam cada vez mais diversificadas atendendo a necessidades e reafirmações locais e identitárias, também o acesso à cultura hoje é visto como um direito e coloca-se no centro do debate cultural e político. Questões como as transformações na função social da cultura, na reformatação da própria noção de público consumidor, a produção da diversidade no contexto global, o acesso à cultura visto como um direito cidadão e a noção de propriedade intelectual como um problema político, são questões inevitáveis para o no quadro das transformações aceleradas na novas tecnologias e especialmente na passagem da TV Analógica para a TV Digital.